Nova incarnação do Echelon é um enorme passo rumo à criação de um Pan-óptico à escala global, baseado no conceito de manter os escravos oprimidos descrito pelo teórico social do séc. XVIII Jeremy Bentham
Paul Joseph Watson
Prison Planet.com
21 de Setembro de 2009
A União Europeia está a desenvolver um Pan-óptico do séc. XXI, um massivo sistema de vigilância descrito pelos críticos como «orwelliano», «arrepiante» e «extremamente sinistro» que irá comparar dados de várias fontes, incluindo câmaras de vigilância (CCTV) e computadores pessoais, de forma a detectar «comportamentos suspeitos» em todo o continente.
Num plano mais vasto, esta é mais uma etapa na criação de uma polícia federal pan-europeia, onde a informação e os poderes são partilhados num sistema centralizado. É também um grande passo rumo ao estabelecimento de uma CIA (Agência Central de Inteligência norte-americana) europeia destinada não a controlar os inimigos estrangeiros, mas sim a espiar a sua própria população.
O sistema de vigilância, conhecido como Projecto Indect, promete recolher informação através duma «monitorização contínua» de «sites da internet, fóruns de discussão, grupos da usenet, servidores de ficheiros, redes p2p [onde se incluem os programas de partilha de ficheiros] e computadores pessoais». Também irá usar imagens CCTV e outros métodos de vigilância para desenvolver padrões de «comportamentos suspeitos» pela análise do tom das vozes das pessoas (sugerindo que as conversas pessoais serão gravadas) tal como «a postura e os movimentos das pessoas».
O seu principal objectivo será a «detecção automática de ameaças, comportamento anormal ou violência».
Isto é um super Echelon, uma nova versão de um programa da norte-americana National Security Agency (NSA – Agência de Segurança Nacional), que espia os seus próprios cidadão há já várias décadas – expandido e actualizado com a tecnologia do séc. XXI. Em 1999, o governo australiano admitiu fazer parte da rede global de intercepção e vigilância da NSA – em aliança com os Estados Unidos da América e o Reino Unido – que escuta «todas as chamadas telefónicas internacionais, faxes, e-mails e transmissões de rádio» no planeta. O Projecto Indect é meramente uma nova incarnação do mesmo sistema de vigilância.
Stephen Booth, analista da Open Europe, descreve o projecto como «orwelliano» e uma «enorme invasão de privacidade», sublinhando que os impostos dos cidadãos europeus estão ser usados para financiar um programa que os trata a todos como culpados até prova em contrário.
«Já é bastante perigoso a nível nacional, mas à escala da Europa esta ideia torna-se terrivelmente sinistra», acrescentou Shami Chakrabarti, o director do grupo de direitos humanos Liberty.
O Projecto Indect é um enorme passo rumo à construção de um colossal recinto vigiado na qual toda a população do planeta está encarcerada.
Os métodos utilizados para tal são um regresso tecnologicamente avançado ao conceito de Pan-óptico, criado pelo teorista social Jeremy Bentham em 1785: um edifício prisional concebido «de forma a permitir ao observador avistar (óptico) todos (pan) os prisioneiros sem estes perceberem se estão ou não a ser vigiados», formando deste modo o que um arquitecto afirmou ser «um sentimento de omnisciência invisível».
Bentham descreveu o Pan-óptico como «uma nova forma de poder e controlo, de uma forma até agora sem precedentes».
A noção do indivíduo não saber quando está a ser observado pelas autoridades é vital na concretização do derradeiro objectivo: manter a população num estado constante de subjugação, constrangimento e medo, levando-a a auto-regulamentar o seu próprio comportamento.
De acordo com Peter Scharff, investigador do Instituto Dinamarquês para os Direitos Humanos, o Pan-óptico foi desenvolvido para promover «a auto-regulamentação que seria provocada pela vigilância constante». O conceito foi incorporado em prisões, construídas com vários módulos (um design ainda hoje usado), aumentando o número de prisioneiros que podem ser controlados por apenas uma pessoa. O facto das autoridades aplicarem métodos de controle concebidos para comunidades prisionais na nossa sociedade mostra as suas verdadeiras intenções, e relembra-nos mais uma vez que a liberdade tão apregoada pelos políticos não passa de um mito.
Isto não tem nada a ver com apanhar criminosos. No Reino Unido, o país com mais câmaras de vigilância por habitante do mundo, as estatísticas mostram que essas câmaras não tiveram qualquer tipo de impacto no combate à criminalidade. Trata-se de mostrar aos escravos quem manda: é um jogo psicológico para reforçar a relação de poder e superioridade dos actuais estados democráticos aos cidadãos.
O objectivo final é convencer o indivíduo que exprimir a sua opinião em público, fazer qualquer tipo de protesto ou questionar a estrutura de poder que o rodeia pode ser um acto «suspeito», nocivo para a sociedade; e que todo aquele se atrever a pensar de forma diferente, ou que ponha o pé de fora desta cela prisional invisível mas opressiva, irá sofrer consequências negativas.







