Texto publicado na crónica Estado do Sítio do Correio da Manhã
7 de Setembro de 2009
António Ribeiro Ferreira, Jornalista
Contados os votos em 27 de Setembro, a liberdade irá ser, mais uma vez, guardada a sete chaves no baú dos mitos do 25 de Abril.
Anda por aí uma enorme comoção com a suspensão de um jornal na TVI. Em plena campanha eleitoral, com os partidos na rua na habitual caça ao voto, o assunto caiu como sopa no mel para a oposição, e causou naturalmente um enorme embaraço nas hostes socialistas. Nestas ocasiões, a velhinha liberdade, em particular a liberdade de informação, é usada e abusada em todos os discursos e intervenções. Sempre com um ar grave e solene, até com alguma emoção e umas lagrimazinhas ao canto do olho, multiplicam-se as declarações de amor a essa tal liberdade.
Na maior parte dos casos trata-se apenas de uma palhaçada para indígena ver. E isto porque nestes 35 anos de democracia já se assistiram a imensos atropelos a essa liberdade e aos mais elementares valores de uma democracia. Não vale a pena andarem por aí a pôr a mão no peito em nome de uma senhora que é atirada para o lixo sempre que os interesses se sobrepõem aos princípios. Neste filme de terceira série, não vale a pena andar à procura de culpados e de inocentes. Por uma razão simples. Não há verdadeiramente inocentes. É verdade que alguns são mais burros do que outros na forma como atentam contra a velhinha senhora.
É evidente também que nestas coisas de respeitinho pela velha senhora são muito importantes o berço e a educação. Há profissionais de Comunicação Social que são uma vergonha, capazes de tudo para manter lugares e sempre disponíveis para fazer fretes a torto e a direito. Deslumbram-se com o poder a fazem tudo a troco de um almocinho ou de um jantarinho na companhia de uma figura pública. Há políticos que se estão nas tintas para a velha senhora e fazem tudo para defender os seus interesses. Não olham a meios para atingir os fins.
E também há empresários e gestores que actuam nas suas companhias como autênticas criadas de servir de quem está no poder. É por isso que neste sítio pobre, manhoso, hipócrita, deprimido, cheio de larápios, recheado de mentirosos e obviamente cada vez mais mal frequentado estas cíclicas comoções com os maus tratos sofridos pela velha senhora só podem dar uma imensa vontade de rir. Seja como for, a velha senhora entrou em força na campanha eleitoral e o tema TVI tornou-se incontornável nos debates políticos. Mas, como tudo na vida, depois de contados os votos em 27 de Setembro, a liberdade irá, mais uma vez, ser guardada a sete chaves no baú dos mitos do muito badalado 25 de Abril.
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