SONAR – Movimentos sob a superfície
A recente reaproximação entre os EUA e a Federação Russa em consequência do “passo atrás” do Presidente Obama no planeado escudo anti-míssil suscitou novas considerações sobre uma possível integração da Rússia na Nato.
Os norte-americanos necessitam de manter a capacidade negocial com a Rússia que lhes permita exercer pressões que condicionem o apoio Russo ao Irão, factor que pesa na obsessão israelita de destruir, pela força, o poder militar Iraniano. No entanto, o fracasso da provocação recentemente experimentada na Geórgia, mostrou que a Rússia não está disposta a ser humilhada.
Uma reaproximação não significa que a Rússia queira ser integrada ou que a estrutura da Nato permita essa integração. Armamento e munições diferentes, estruturas de comando e controlo diferentes, uma barreira linguística significativa, transformariam a integração num terrível pesadelo. Mas os obstáculos mais significativos encontram-se na história recente.
Quando desapareceu o Pacto de Varsóvia a Nato perdeu a razão da sua existência. Ninguém parece ter dado por isso porque, entretanto, os EUA tinham adquirido a posição de potência hegemónica a quem convinha transformar uma antiga aliança defensiva em mais um braço armado do seu imperialismo. E assim se criaram cenários propícios à intervenção militar na região estratégica dos Balcãs, que teve como ponto alto os crimes de guerra da Nato contra os civis Sérvios e o esbulho do Kosovo, transformado em novo protectorado dos Estados Unidos.
Mas isso não satisfez a voracidade norte-americana. As dificuldades da ocupação do Iraque levaram-nos a empurrar a Nato para a ocupação do Afeganistão. Transformada de aliança defensiva em aliança agressiva, os aliados ficaram reduzidos à condição de fornecedores de carne para o canhão americano.
Uma aliança destas não pode interessar a um grande país, independente e com vocação para exercer o seu legítimo protagonismo no contexto mundial.
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